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Polícia revela o que motivou empresário a mandar atirar contra carro de advogada em Santarém

Polícia Civil e OAB falaram sobre o caso em Santarém Dominique Cavaleiro/g1 O empresário Ulisses Leite de Souza foi preso preventivamente na manhã desta qua...

Polícia revela o que motivou empresário a mandar atirar contra carro de advogada em Santarém
Polícia revela o que motivou empresário a mandar atirar contra carro de advogada em Santarém (Foto: Reprodução)

Polícia Civil e OAB falaram sobre o caso em Santarém Dominique Cavaleiro/g1 O empresário Ulisses Leite de Souza foi preso preventivamente na manhã desta quarta-feira (9), em Santarém, no oeste do Pará, suspeito de mandar atirar contra o carro de uma advogada. Detalhes de como o crime foi planejado e a motivação do ataque foram divulgados em coletiva de imprensa pela Polícia Civil e pela OAB. ✅ Siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp O caso envolve ameaças e disparos de arma de fogo efetuados contra o veículo da advogada. O empresário concedeu entrevista ao g1 e negou autoria de conduta criminosa. Suspeito de ser mandante de disparo em carro de advogada foi preso nesta quarta-feira Investigação policial e apreensões A investigação foi comandada pelo delegado Wellington Kennedy, com suporte do Núcleo de Apoio de Investigação (NAI), dirigido pelo delegado Silvio Birro, e acompanhada pelo superintendente da PC no Baixo Amazonas, Jardel Guimarães e pelo delegado Jair Castro, diretor da 16ª Seccional. Segundo as autoridades, a autoria e a materialidade do crime foram estabelecidas por meio de trabalho de inteligência e análise técnica reversa de áudio. Durante as buscas realizadas na residência do acusado, foram apreendidos três aparelhos celulares, que passarão por perícia e extração de dados mediante autorização judicial. A Polícia Civil informou que o inquérito apontará os crimes de disparo de arma de fogo, ameaça e dano qualificado. Sobre a identificação do motociclista e o aprofundamento das investigações e perícias, o delegado Wellington Kennedy, responsável pelo inquérito, declarou: "Com relação aos demais elementos, por exemplo, a pessoa que estava na motocicleta, agora, com o resultado dessa busca e apreensão, aprofundaremos para que nós possamos trazer à tona todos os elementos, todos os atores deste cenário criminoso.", disse o delegado. Ele complementou detalhando os próximos passos periciais com o material recolhido nas buscas: "Agora nós vamos trazer as perícias, tendo em vista que conseguimos aprender três celulares, faremos as extrações com a autorização judicial e, após o resultado da extração, concluiremos com o relatório conclusivo enviando para a autoridade judiciária." O delegado explicou ainda que a Polícia Civil realizou um trabalho de inteligência e análise reversa de áudio para apontar a autoria e a participação do suspeito indicado como mandante do atentado Conforme o apurado na investigação, a motivação do crime está ligada a um conflito ou rixa prévia entre o acusado e a vítima. Em depoimento prestado à polícia, Ulisses negou ter feito as ameaças ou os disparos, mas confirmou a existência do atrito prévio com a advogada. As diligências continuam para identificar outros envolvidos no cenário criminoso, como o condutor da motocicleta utilizada no atentado. Acompanhamento da OAB A presidente da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Santarém, Pânysa Monteiro, acompanhou as investigações. Ela destacou que um ataque a um advogado atinge toda a advocacia, os clientes representados e o próprio Estado Democrático de Direito. Ela também registrou o apoio do presidente da seccional da OAB, Sávio Barreto, e informou que a segurança da vítima esteve sob o acompanhamento do comandante da PM, coronel Aleixo. A presidente da subseção da OAB em Santarém enfatizou a gravidade do ataque para toda a classe jurídica: "Esse trabalho da Polícia Civil, que não mediu esforços, é justamente para dar esse recado: a advocacia não vai ser calada. A OAB não permitirá que nenhum advogado ou advogada seja privado do livre exercício da sua profissão. Fazer um atentado contra um advogado é contra toda uma classe, é contra o sistema de justiça e contra os clientes que estão sendo representados. É um atentado ao próprio Estado Democrático de Direito." A representante da OAB também relatou que a advogada vítima se sentia insegura durante o curso das apurações e reafirmou o compromisso da instituição com os próximos passos do processo: "A Dra. Regiane me dizia que ela se sentia presa. Nós vamos continuar acompanhando agora a ação penal até a definitiva penalidade do acusado”, completou. O que diz o suspeito Apresentado à polícia por força do mandado judicial, Ulisses Leite de Souza, empresário e proprietário da firma USA Florestal, declarou-se inocente e afirmou que a advogada está "equivocada". O empresário alegou que reside e possui escritório em Santarém e que não tinha motivos para cometer o crime, afirmando que no passado já ajudou a profissional cedendo um veículo modelo Compass e pagando custos de aluguel. Ulisses sustentou que o disparo atingiu a porta do automóvel, causando danos mínimos, e alegou acreditar que a ação possa ter sido simulada por pessoas próximas à vítima. Ele relacionou o conflito a disputas de negócios decorrentes do desligamento de um ex-sócio em um contrato de concessão na cidade de Alenquer. "Eu não tinha nenhum motivo, nenhum motivo eu tenho e nem tive para fazer o que ela tá me falando que eu fui o suposto mandante. Muito estranho o tiro que deram no carro dela que foi na porta, porque eu acho que uma pessoa que tem vontade de matar outra não vai dar um tiro com uma pessoa fora do carro [...]. Os danos foram mínimos", contou Ulisses. A respeito do áudio associado ao caso pela polícia, o suspeito declarou que a gravação apresenta voz distorcida, negou ser o autor da mensagem e afirmou que é possível clonar ou simular vozes com o uso de aplicativos de inteligência artificial. "A voz tá distorcida. Não é minha voz, eu não mandei o áudio [...]. Eu fiz isso no aplicativo de IA [...]. Isso é muito fácil hoje de ludibriar pela tecnologia que hoje nós temos. O áudio nem tem a minha voz, a voz que aparece lá é distorcida", completou o suspeito. VÍDEOS: mais vistos do g1 Santarém e Região